CiKi 2017 discute possibilidades das Cidades Inteligentes

setembro 11, 2017

Repensar o modo como os centros urbanos estão organizados, com enfoque nas necessidades humanas, foi o tema da palestra do professor doutor Álvaro de Oliveira. A apresentação ocorreu na manhã de segunda-feira (11), no Parque Tecnológico Itaipu (PTI), e integrou a programação do 7º Congresso Internacional de Conhecimento e Inovação – CiKi 2017.

A palestra “Cidades e territórios mais humanos, inteligentes e sustentáveis” expôs um panorama sócio-histórico sobre os fatores disfuncionais dos centros urbanos atuais. Conforme explicou o professor, após a Revolução Industrial, as cidades foram construídas ao redor das indústrias, deixando em segundo plano elementos como a mobilidade urbana e qualidade de vida. Para reestruturar a viabilidade dos centros e investir na qualidade de vida dos seus habitantes, são incentivadas as transformações dos centros em cidades inteligentes e humanas. Nesse cenário, são levados em conta os avanços tecnológicos e também o reconhecimento das reais necessidades dos moradores.

De acordo com a proposta das cidades inteligentes e humanas, três conceitos são levados em consideração para a melhoria dos centros: a urbanização inteligente, que dão ao sujeito a possibilidade de morar, trabalhar, e ter acesso ao lazer em um mesmo local, minimizando o deslocamento; os desejos, interesses e necessidades do sujeito, para que as cidades sejam construídas de modo que esses sejam atendidos; e a desindustrialização mental, onde incentiva-se a desconstrução da imagem da indústria como o centro da cidade.

Em sua mostra, o professor citou exemplos de regiões que foram reconstruídas com base nesses conceitos. O parque High Line, em Nova York, construído originalmente em 2009 sob uma via férrea elevada, tem uma extensão de 2,5 quilômetros que atravessa três bairros pouco visitados por turistas. No entanto, após a reciclagem de uma linha de trem antiga e abandonada, foram instalados jardins considerados obras-primas do paisagismo urbano. Esse movimento motivou a transformação de seu entorno, que conta atualmente com opções de restaurantes, cafés e galerias de arte. Outro exemplo é a cidade de Paris, na França. Conhecida como a última cidade planejada antes da Revolução Industrial, Paris é considerada o símbolo da cidade humana sustentável atual, contando com vias de maior circulação e iniciativas como programas de compartilhamento de bicicletas e veículos elétricos.

Oliveira ressaltou que os conceitos das cidades inteligentes não são intuitivos e, portanto, acabam não sendo praticados. Esses fatores tornam importante a realização de eventos como o Ciki e o trabalho de instituições como o PTI, na promoção de reflexão e projetos piloto. “Este é o momento de pensar sobre essas transformações e a melhor maneira de fazê-las acontecer”, destacou.