Diretor executivo da I-Corps defende que execução excepcional de ideias normais é melhor que grandes ideias

setembro 12, 2017

Grandes ideias são inovações? E grandes negócios são sinônimos de grandes ideias? Para o diretor executivo do programa UT Austin | Portugal na Universidade do Texas (Estados Unidos), Marcos Bravo, não necessariamente. Ele defende que a execução excepcional de uma ideia normal é mais importante do que uma grande ideia.

Bravo, que também é diretor executivo do Corpo de Inovação do Sudoeste da Fundação Nacional da Ciência (I-Corps), no Escritório da Vice-Presidente de Pesquisa, ministrou a palestra “Valorizando a inovação: da ciência para as startups”, nesta terça-feira (12), durante o VII Congresso Internacional de Conhecimento e Inovação (CiKi), no Parque Tecnológico Itaipu (PTI).

A formação de pessoas é o parâmetro mais importante de um ecossistema de inovação, segundo Bravo. E, ainda de acordo com ele, é preciso que haja diversidade e interdisciplinariedade. “As grandes empresas mais disruptivas têm pessoas que pensam diferente”, afirma.

Cerca de 90% das startups falham e aproximadamente 65% dos novos produtos desenvolvidos por elas não dão certo, afirma o diretor executivo. “Os empreendedores, muitas vezes, fazem a solução primeiro, antes de falar com o mercado, o que é um erro muito grande, fazem a tecnologia à sua imagem, e muitas vezes não é o que o mercado quer”.

Outro erro que costuma ser cometido pelas startups, conforme Bravo, é a tentativa de comercializar os produtos “vendendo” suas especificações técnicas, ao invés dos benefícios que ele traz aos usuários. Para ele, as empresas não devem perder tempo com produtos que não têm mercado e precisam investir em soluções para problemas graves.

O diretor executivo da I-Corps conta que o programa foi criado pela Fundação Nacional da Ciência, para ajudar a impulsionar as pesquisas financiadas para o mercado, e é baseado em um conceito de entregar ao mercado o que ele quer. Em quatro anos, 400 empresas foram criadas pelo I-Corps. Bravo acredita que é inconcebível um ecossistema de inovação sem a participação governamental, empresasarial e acadêmica. “Qualquer uma dessas áreas é importante para a criação de valor na economia. Uma sem a outra não funciona, é preciso que todas trabalhem juntas”, complementa.

O CiKi

O CiKi busca promover o desenvolvimento conceitual, metodológico e estimular a prática de gestão do conhecimento, de capital intelectual e de gestão da inovação. É uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com apoio de instituições nacionais e internacionais. O evento reúne representantes de instituições públicas, privadas, acadêmicas e do terceiro setor, em discussões, palestras, troca de experiências, apresentação de novas tendências e estudos na área.